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  • Rebeca Kim

A Tailândia já entendeu tudo

E quem ganha somos nós!


Eu costumo dizer que fandom de casal sáfico move montanhas. Isso porque de tempos em tempos surge um casal em algum lugar do mundo que toma proporções gigantes e, pelo menos na minha bolha, vejo sempre as mesmas pessoas engajando no assunto, provavelmente órfãs do casal anterior.


A gente assiste a novela ruim por causa de casal secundário, mesmo quem não foi alfabetizado em espanhol com RBD se vira no portunhol para ver novela mexicana, arrisca até um italiano por causa de casal de reality… E não é só brasileiro que é carente de produções desse tipo, a minha maior satisfação é ver vídeos de novelas brasileiras com legendas amadoras em outras línguas.


O que eu não me conformo é como que os grandes canais ainda não perceberam a força que nós — fãs — temos. Existem várias formas e formatos de se explorar um romance entre mulheres na ficção, várias delas já deram certo, fizeram sucesso até a nível mundial, e ainda assim parece que há pouco interesse em produzir mais histórias como essas. Não é só a Netflix cancelando toda e qualquer série com casal sáfico, ou a Globo desenvolvendo o casal só no final da novela no núcleo coadjuvante do coadjuvante, e até as grandes produções estadunidenses nos entregando cenas escuras e sussurradas.


Mas a Tailândia entendeu tudo! Sim, eu vim aqui para falar de GAP The series.

Reconheço que não ser tão entendida de produções asiáticas é uma grande falha de caráter minha, dizem que é até fora do meu personagem não ser dorameira (desculpe decepcionar!).


O que eu sei também é que casal sáfico em novelas asiáticas não surgiu em GAP. As próprias atrizes protagonistas já tinham contracenado juntas como casal secundário em uma outra produção com protagonismo BL (Boys Love, romance entre garotos) — Secret Crush on You, que inclusive é citada em GAP numa cena maravilhosa.


E esse foi só o primeiro acerto. Duas atrizes que tem muita química e entrosamento como casal? Vamos colocá-las como casal principal, é óbvio! A química delas é realmente um dos pontos fortes, tanto é que eu mesma fui uma das pessoas que se interessou pela série por ter visto um GIF do casal.


Comecei a assistir sem saber do que se tratava, mas logo de cara a história me conquistou. Gira em torno do amor platônico que Mon nutre por "Khun" (pronome de tratamento para o título de nobreza tailandesa) Sam: a garota é assumidamente fã da outra, de ter fotos penduradas no quarto e acompanhar toda a trajetória, entrevistas, tudo. E o tom da série é bem direto: logo no início a Mon fantasia estar praticamente beijando a Sam, uma cena bem lúdica e delicada, mas bem clara já mostrando o que a trama se propõe a desenvolver.


No primeiro episódio vemos que Mon conheceu Sam ainda na infância e foi mantendo essa admiração por ela, seguindo os passos da amada até conseguir uma vaga de estágio na empresa que a mais velha comanda. O “gap” do título se trata justamente de tantas diferenças entre elas, sendo a idade e classes sociais algumas destas.


Mas calma! Não é como se a Sam fosse alguma rainha medieval nem uma quarentona, ela é só alguns anos mais velha e ambas já são adultas. Tanto que essa empresa que ela lidera se trata de um acordo que ela fez com a avó: caso não obtivesse um lucro exorbitante “x” em um ano, ela teria que abdicar da empresa para se casar e ter a vida de esposa tradicional conservadora.


Quando Mon começa o estágio nessa empresa, descobrimos uma Khun Sam muito diferente do que a Mon idealizava. Sam é a chefe que todos os funcionários têm medo, vive de cara fechada, turrona, viciada em trabalho e até babaca em várias ocasiões. Mas é também uma grande [censurado] [inaudível] *barulho de buzina* * sirenes* (UEPAAAAA) então a Mon segue firme no propósito de se mostrar uma funcionária exemplar para sua ídola e acaba chamando atenção da chefe. A carrasca joga logo nas costas da estagiária um projeto novo e superimportante para a empresa, fazendo com que Mon trabalhe além da conta e elas acabem passando tempo demais juntas inicialmente por causa do trabalho.




Apesar da carinha de sonsa, a pobre Mon sabe expressar suas opiniões e se impor diante de Khun Sam, mesmo com propostas absurdas que “ou você aceita ou vou te demitir”, ela vai aprendendo a lidar com essa casca grossa que tanto quis se aproximar. Junto com flashbacks a gente também vai entendendo todo o contexto da vida da Sam que a deixaram desse jeito.


GAP The Series foi baseado num romance que eu não cheguei a ler, mas pelo que andei pesquisando o livro tinha alguns temas mais pesados e até problemáticos em certo ponto, então eu achei que as mudanças que fizeram foram mais um acerto. A série tem sua carga dramática com a família da Sam, mas tem também um alívio cômico com alguns personagens e piadas pontuais, tornando tudo uma delícia de assistir. Eu fiquei tão fissurada, que comecei a assistir durante o dia e quando vi já eram 4 horas da manhã!


O romance é um slow burn (quando o relacionamento entre as personagens é desenvolvido mais lentamente) que chega a dar dores físicas e acelerar o coração de tanta tensão. É muito interessante perceber a forma como elas vão se envolvendo desde o início, mas também como demoram para entender e admitir o que estão sentindo uma pela outra. As cenas são muito bonitas, real e romantizado na medida certa, nem puritano e nem fetichizado demais. É muito fofo e gostoso demais de assistir em maratona ou devagarzinho, como preferir! São 12 episódios longos, está tudo legendado e disponível de graça no YouTube.

Depois disso tudo nem preciso dizer que o casal é endgame, sem final aberto e ninguém morre no final, né? Só o fato de a história principal girar em torno do casal já é um avanço entre muitos casais sáficos que ganharam a internet antes delas, mas não para por aí. A mídia não parou de usar a imagem das atrizes de todas as formas possíveis, fizeram eventos, entrevistas, ensaios fotográficos, até clipe! Só em capa de revista elas já se vestiram de noivas incontáveis vezes.


Eu poderia até pensar que essa fama toda é mais um sintoma da minha bolha, já que eu fiquei tão imersa nesse universo por causa delas a ponto de o meu Tiktok, por exemplo, parecer um portal mágico direto para a Tailândia. Além de fanvideos da série e das atrizes, a plataforma me entrega aulas de tailandês, dicas de turismo na Tailândia, mas não sou a única que fiquei obcecada, GAP é realmente um fenômeno.



Mesmo depois do fim da série, as atrizes continuam surfando na onda do sucesso e agora estão fazendo até turnê em outros países, inclusive fora da Ásia, com uma apresentação ao vivo especial pra fãs, que é praticamente um musical sobre a série e digamos que elas se entregam mesmo na atuação ao vivasso, não poupam em nada os nossos corações. Até eu fiquei surpresa de ver tantas plateias lotadas de fãs.


E não é só isso: já estreou outro thaidrama (dorama tailandês) com casal sáfico como protagonista — Show Me Love, que eu ainda estou no início, mas já amando, será que já posso ser considerada dorameira? — que inclusive uma das atrizes é assumidamente queer, e tem várias outros exemplos com casais protagonistas sáficos, de diversos gêneros, já confirmados para sair!


Parece que a indústria audiovisual tailandesa já está em 2030 enquanto o resto do mundo ainda luta há uns bons anos para tentar sair de 1940…


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