• neereis

Tudo bem não ser normal e o turbilhão de emoções que causou em mim

Atualizado: 15 de fev. de 2021



Nabi. Borboleta em coreano. Flor com asas. Cores que voam. Poesia do céu em forma de pétala dançante. Irmã do vento. Amiga do arco-íris. Cura. Psiquê.


Assistir a Tudo bem não ser Normal foi uma das melhores decisões que tomei ano passado. E preciso agradecer a Kah pela listinha de dramas lindos e que, certamente, eu iria gostar. O drama é incrível, é uma ode aos detalhes e construído para fazer pensar que não existe destino fadado, que os sonhos valem a pena ser sonhados, que não somos diagnósticos ambulantes ou mais um número num prontuário médico; que podemos ressignificar: os sentimentos, os acontecimentos, nossas próprias ações, sonhos e medos.


Nem tudo é dor. E nem toda dor é choro. E nem todo choro é dor. Às vezes se chora porque se aprende, se entende; entende a si mesmo. Às vezes se chora porque não se aprende, não se entende; se nega a si mesmo. Às vezes se ri porque dói e dói se finge que não dói. Ciclos. Que podem ser conversados abertamente numa sessão de terapia com o Dr. Oh (que me pareceu afetuoso demais desde a primeira vez que o vi com aquele cabelinho a la Dr. Chapatin ou quando resolveu tocar violão numa musiquinha fofa que trazia o título da história) ou nas doses de afeto maternal que a Sra. Kang despejava em sua comida, sempre acolhendo em sua mesa alguém que precisava sentir o calor humano em forma de alimento.


Ai, Kang-Tae... Quantas vezes nós somos o menino de máscara no rosto? Fingindo expressões para levar a vida de maneira menos dolorida quando esse sentimento só traz mais sofrimento. Ele não era ele porque aprendeu que não ser era melhor. Que não demonstrar era mais seguro. Porque ele sentia. E como sentia! Mas pôs a responsabilidade de uma vida acima da própria vida. É injusto pedir que alguém viva assim. É injusto exigir de alguém mais do que a natureza humana permite. E ele foi e fez. E quase morreu por dentro. Experiências de quase morte fazem a gente viver mais? Não sei. Mas deveriam. Porque essas são um lembrete de que a efemeridade da vida existe. É nossa eterna companheira igual ao tempo. De mãos dadas eles passam a caminhar com a gente o tempo inteiro; lado a lado, passo a passo. E o injustificável se fez justo. Coisas que só a poesia delicada da narrativa conseguiu fazer.


Enganoso o coração de quem se acha inatingível. Inesquecível. Insubstituível. Go Moon-Young e seu conto de fadas às avessas. Não. Distorcido? Não. Vivo. Por trás de muros de pedra, escudos no coração, espinhos ao toque e camadas de roupas (exageradíssimas, algumas delas, lindíssimas todas elas), uma flor que não sabia o que fazer com as raízes que continuavam a crescer. E quanto mais cresciam, mas ela voltava pro começo de tudo; mais ela voltava para si. Mais ela se abria para além de si. Mais.


Nabi. Asas no firmamento e comboio no voo. Nabi. Flor dançante que independe de clima; ela sempre encontra palco para performar. Esse é o significado do meu nome. Eu sou Nabi. Eu sou a dançarina do vento, a filha das cores, a concebida nas asas de flor. As cores do mural do Sang-Tae. As cores da vida do Sang-Tae. As cores do imaginário do Sang-Tae. Moon Sang-Tae, um bálsamo. Um presente. Acho que vou demorar para me apaixonar por um personagem tão bem feito, tão bem pensado; tão vivo. Os três trazem a ‘lua no nome’, os três, à sua maneira se encontram em casulos apertados, escuros e solitários. Que anunciam a luz, tal qual a lua no céu. E se permitem nascer.


Pon las alas contra el viento. No hay nada que perder. No te quedes con tu nombre escrito en la pared. Estar com o nome escrito na parede é estar preso a algo. A uma memória, a um trabalho, a um momento de dor; de fuga. Se eterniza algo que representa uma fase e se acha que está tudo bem. Se esquece de que está tudo bem não ser normal; tudo bem não estar nada normal. É olhar para a parede com seu nome e decidir colocá-lo noutra parede e noutra e noutra; um eterno construtor. Um eterno começar e terminar novos contos de fadas, como a nossa escritora protagonista. Um eterno fugir da primavera como os irmãos protagonistas. Igual aos três vagando por aquelas estradas bonitas demais, sem itinerário, mas com destino à alegria de saberem ser quem são. E o fato de colocar nomes em paredes distintas é o que nos faz bater asas. Como o Sang-Tae voltando para a casa, priorizando os próprios sonhos e vontades. Sendo.


Dizem que viver é perigoso porque nossas ações estão conectadas, ainda que não percebamos. E eu acho que a beleza está exatamente aí. Nos detalhes que ignoramos, nos sentimentos que tememos sentir, nos voos que nunca damos. Viver é aprender. A voar. A colorir. Viver é Nabi num céu de possibilidades. E Tudo bem não ser Normal é poesia pura, personificada, de arquétipos e trilha sonora e símbolos e diálogos repletos de mágica.

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