• neereis

Love With Flaws: mais falhas que amor

Atualizado: 30 de nov. de 2021


Eu estava procurando por uma comédia bobinha para assistir e me encantei com as cores chamativas do pôster e a sinopse que contava, de uma forma bem resumida, a história de uma professora de educação física que não gosta de homens bonitos demais porque seus três irmãos, bonitos demais (há controvérsias), a envolviam em problemas demais; tudo o que ela queria era um homem comum (feios são bem-vindos na vida da Joo SeoYeon!). E o fato de o homem no pôster ser bonito (não demais, mas ainda assim!) me deixou interessada a dar play porque eu queria saber como eles ficariam juntos.


Love With Flaws me fez rir. Muito! Porque era justamente aquilo que eu estava procurando: uma comédia que me apresentasse situações que me tirassem da realidade e me levassem a um palco de leveza e bobeira no meu teatro mental; e foi o que aconteceu... pero no mucho. O drama, em 32 episódios entre 27 e 30 minutos, faz jus ao título porque ilustra o ato de abraçar tudo aquilo que há dentro da gente, incluindo nossos defeitos, quando se trata de amar. Principalmente em se tratando do amor. E digo por quê: quando a gente ama, até mesmo as maiores falhas se tornam problemas menores porque eles estão naquele mar seguro cuja plaquinha diz "com isso eu consigo lidar."


E estava tudo indo bem, até eu não suportar o plot do casal protagonista. Ela foi ficando mais caricata à medida que a trama avançava, ele demorou de deixar de ser mimado e as idas e vindas, totalmente desnecessárias, tornaram-se uma constante. "Você não sabe pelo que ela passou", uma fã daquela cantora vai me dizer, mas é justamente isso, nem ela sabia (mesmo!)! E mesmo antes de saber, eles já brincavam de esconde-esconde com ponto para quem propusesse a separação primeiro. Olha bem pra minha cara, sério, não mereço isso. Como não mereço longas cenas de um parado na porta do outro com cara de sofrimento enquanto alguma música triste tocava ao fundo e ela arrumava a franja milimetricamente perfeita. Ta aí o primeiro item 'sem falhas' na sucessão de falhas do drama.

Sério, que franja perfeita!

Ainda sobre o casal principal (sim, eu não superei, e eu terminei de assistir semana passada!), me dói o potencial desperdiçado, sabe? Ele começou terapia pra melhorar do trauma intestinal (sempre ele, o grande protagonista da Coreia) que era vinculado às memórias com a amada, ela muito dona de si, ambos demonstravam aquilo que sentiam... mas por que tinha de ser daquele jeito? Sinceramente, preguiça. Preferiram transformar em caricatura uma relação que poderia demonstrar as falhas do título, olha só, em pessoas imperfeitas e seus amores perfeitamente imperfeitos. Até o plot do casal destinado desde a infância não foi forçado ali porque a relação deles era bem construída desde ali, mas não... preferiram um casal ioiô. Nem o fato de ela guardar o desenho que ele fez do vestido de noiva idealizado por ela e, anos mais tarde, ele costurar o vestido pra ela, me deixou feliz como eu sei que ficaria em condições normais. Triste.


Mas por que você continuou assistindo, Vanessa? Obrigada por perguntar. Porque, ainda que haja falhas, havia amor. Graças à nossa senhora do casal secundário eu ganhei não apenas um, mas dois casais secundários lindos para chamar de meus (aos outros faltou sustância, fazer o quê). Não bastasse a relação dos quatro irmãos ser adorável (eu veria um drama inteiro apenas com eles vivendo dentro de casa e reclamando por estarem comendo batata doce faz 3 meses ou zoando o irmão mais velho por ficar bêbado rápido demais ou a forma em que a prota cobrava os irmãos pelas despesas mensais) e totalmente crível, o drama me deu um interesseiro que, realmente, se apaixona pela herdeira rica que entra na relação sabendo que ele é interesseiro, mas também se apaixona por ele e vivem um romance fofíssimo que é interrompido porque... ele é o irmão mais velho da protagonista e ela, a irmã mais velha do protagonista. Eu pergunto: e eu com isso? Mas a Coreia riu da minha cara e o final feliz deles foi uma conversa rápida sobre "daqui uns anos, quando eles se casarem, a gente pode ser feliz junto"... Nunca ouviram falar em casamento coletivo? Aqui na cidade a gente faz todo ano!

O outro casalzinho vem do meu personagem preferido, o segundo irmão, também mais velho que a protagonista. Joo WonSeok é aquele tipo de personagem que a gente ama de cara. Ele é na dele e prefere não se meter na vida dos outros, mas está sempre presente para os irmãos, principalmente para ouvir a irmã (e eu ainda dou risada dela perguntando se ele, sendo gay, já teve uma ereção por alguma mulher vide uma cena hilária do prota ficando animadinho perto dela). E quando ele conheceu o HoDol eu ganhei uns trezentos potes de serotonina porque ô casal fofo! O jeitinho bobo de um complementando a sisudez do outro, o companheirismo, o jeitinho de olhar e cuidar... eu ficava suspirando! E vem deles a única cena do drama que me fez ficar emocionada, aliás, porque toda a conversa sobre os pais deles e a descoberta do significado da foto das montanhas cobertas de gelo foi preciosa demais! E eu queria mais do romance, o que já é um problema meu, então nesse quesito foi love without flaws! PS: tristíssima por descobrir, quando fui buscar mais trabalhos desse ator (Cha InHa), que este foi o último porque ele faleceu no mesmo ano do drama (2019).

Como é que eu tô? Pareço bem vestida demais? Eu preciso parecer natural.

Eu gostei muito da melhor amiga da prota (foi bom rever a fantasminha de Oh, my Ghost! sendo gente), uma daquelas amizades lindas e que a gente deseja ter na vida, mas foi triste perceber que a razão de ser dela era preencher a vaga para o cargo de melhor amiga e apenas isso. O irmão caçula também, coitado, tinha um trauma todo complexo referente a abandono, que foi esquecido no churrasco, junto com sua vida de trainee (mais potencial desperdiçado com o dono da agência! Chega, muda, Coreia!) ou da relação dele com a atleta-ex-entregadora-de-frango-a-quem-ele-chamava-carinhosamente-de-cachorro. No final, para eles, foi o famoso: nada acontece, tteokbokki. E daí vem o Dr. Docinho, a outra ponta do triângulo, que era primo do protagonista (família ê, família a, família) e tinha seus momentos. Eu confesso que amaria um homem que me desse doces todos os dias. E ele era comum. E a prota amava comer e procurava um cara de beleza abaixo da média. Sabe aquela coisa de preencher todos os requisitos dela? Ele. Mas não rolou. E eu fiquei com preguiça porque ela disse isso para ele lá no meio do drama, mas ele continuou sem amor próprio nenhum e terminou salvando crianças pelo Médico sem Fronteiras: parabéns para quem teve todas essas ideias. E para quem enfiou o plot da menina rica que fingia ser pobre e andava com uma mala cheia de dinheiro em espécie e dormia na rua às vezes, mas tinha um ap alugado (?) pra stalkear a protagonista (??) e nunca era a) roubada, b) descoberta. Seu cérebro processou? Nem o meu, e olha que eu assisti a tudo!


As pessoas são imperfeitas. Saquinhos de vacilo ambulantes. O amor, um sentimento perfeito desde sua concepção, quando conjugado, apresenta falhas porque, olhe só, é praticado por pessoas que são... imperfeitas. E a história tentou mostrar tudo isso, conseguindo em alguns momentos, falhando totalmente noutros e sendo metalinguagem ao próprio título... E o drama não é ruim, ele só não é bom, sabe? Estilo aquele tweet do Neymar que diz "saudade de tudo aquilo que a gente não viveu", é assim que me sinto pensando nas possibilidades desperdiçadas em 32 eps, principalmente nos 12 últimos. Uma pena. Mas é como diz o poeta, pouco amor e muita falha.


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