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Esse é Irmão Desse #3: Relatos Selvagens


Damián Szifron nos presenteou com Relatos Selvagens (HBO Max), um filme argentino composto por um prólogo e cinco capítulos, todos independentes quanto à trama, mas conectados na temática que trabalha com sensibilidade e humor ácido os extremos que os seres humanos vivem no que diz respeito às suas emoções e sentimentos, levando o telespectador a refletir sobre a própria vida. Persona (Netflix) é uma antologia coreana formada por quatro curtas, cada um dirigido por um diretor distinto, mas todos protagonizados pela IU e seguindo o formato do filme acima citado, principalmente no uso das simbologias.


Em Parternak, o prólogo do longa, vemos a representação da dominação humana pela fúria, e no segundo episódio, El Más Fuerte, uma batalha entre dois motoristas com bastante uso do recurso em que a câmera filma de baixo para cima, dando a sensação de grandeza para além do real, o que se assemelha ao primeiro episódio dos curtas, Jogo do Amor.

Apesar de a trama levar para interpretações automáticas como o Complexo de Electra, segundo Freud, ou os principais arquétipos junguianos (sendo persona um deles!), uma vez que a disputa da partida de tênis tem como principal objetivo a decisão sobre o casamento ou não do pai da protagonista, os elementos acerca da sexualidade e etarismo são mais gritantes para mim. A crescente tensão entre as protagonistas, os gemidos durante os saques e recepções, as frustrações e os toques sutis entre as personagens interpretadas por IU e Bae Doona, justificam meu primeiro pensamento. As tomadas que em plano aberto, por sua vez, iniciam com uma IU menor que sua professora de inglês, mas equiparam as duas à medida em que o duelo avança, em substituição dos julgamentos da mulher mais velha para uma demonstração de apoio.


Bombita, o 3º episódio, fala sobre a ética em meio a conflitos familiares, momento em que o Sr. Bombita (Darín, eu te amo!) nos leva a pensar "a gente precisa mesmo recorrer às medidas extremas pra ser visto como... gente?"; o que casa perfeitamente com o 3º curta de Persona, Será que Beijar é Crime?. Nessa tragicomédia, o humor satírico se faz presente, bem similar a Relatos Selvagens, ao abordar questões como machismo e patriarcalismo, retratando o relacionamento autoritário e abusivo de pai e filha numa cidade rural da Coréia. Aqui, IU é a melhor amiga da menina que sofre com a mentalidade repressora do pai e as formas que elas encontram para a "libertação" da jovem vão do riso ao perigo em segundos. O ponto alto desse capítulo foi a amizade entre as duas adolescentes, sendo o único dos episódios a fazer uso da realidade concreta, por exemplo.

No 5º episódio, Hasta que la Muerte nos Separe, o meu preferido, trabalha com duas questões existentes no 2º e 4º episódios de Persona: Conquistadora e Andando à Noite, respectivamente. Em Conquistadora, temos o retrato da liquidez dos sentimentos ao apresentar o relacionamento de um homem mais velho, bastante inseguro e chato, mas completamente encantado pela jovem professora de yoga, interpretada por IU. Quando a jovem volta de uma viagem com os amigos homens, o casal passa o dia juntos, conversando sobre a vida, o amor, a fidelidade, mas o curta (o mais longo de todos!) nos leva para uma visita à mente do protagonista e atinge o clímax de uma forma completamente inesperada, mas genial!

Andando à Noite, por sua vez, é o meu curta preferido e trabalha ideia de que um só percebe os sentimentos pelo outro depois que a morte os separa. Todo em preto e branco (ele vai escurecendo à medida em que as personagens ficam mais tristes) e numa perspectiva onírica e melancólica, somos levados a um passeio noturno na mente do protagonista, momento em que ele e sua ex-namorada podem, enfim, conversar sobre tudo o que não disseram enquanto estavam juntos; enquanto ela estava viva. Trabalha com questões sobre suicídio (fica aqui o alerta sobre conteúdo sensível) e solidão de forma bastante simbólica e triste. Infelizmente, por vezes, o amor só consegue florescer em terra devastada. Uma pena.

Persona é difícil e eu me peguei pensando em como em algo tão pequeno pôde caber tanto. Passível a várias interpretações, eu gostei de alguns elementos, desgostei de outros, mas me peguei pensando em vários aspectos. Vai ver era esse o objetivo: fazer pensar. Gosto da proposta de ambas as produções de trazerem uma lente de aumento para as tramas, como um convite a nós, telespectadores, para tentarmos conhecer como somos se estivéssemos em situações similares.

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