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D.P.: treinando para a guerra, às vezes, o inimigo é seu próprio povo

Atualizado: 4 de set. de 2021


Eu fui pelo plot, também conhecido por Jung Hae-In, mas não é que o plot era realmente bom?
Todo homem nascido neste país prestará serviço militar, como manda a Constituição da República da Coréia e esta lei.”

Esta é a mensagem de abertura de todos os 06 episódios de D.P. Dog Day, novo drama da Netflix que teve sua estreia em 27 de novembro e, desde que acabei de assistir, não sai da minha mente. Num breve resumo, o drama apresenta uma crítica ao sistema do exército sul-coreano ao retratar o bullying e os variados tipos de assédio que são reproduzidos ciclicamente e camuflados pela hierarquia, ao trazer à tela as preocupações e vivências dos jovens soldados através do olhar da dupla da unidade D.P. (Deserter Pursuit) que captura desertores quem, ao longo da trama, são humanizados de forma brilhante.


A história é uma adaptação do webtoon de Kim Bo-Tong, quem também roteiriza o drama, e mescla o peso das cenas do exército com a relação divertida de irmandade dos protagonistas, que nos emprestam seus olhos para que possamos presenciar as preocupações, os medos, as aflições e os abusos diariamente repetidos pelos corredores da unidade. Indiretamente, o drama nos faz refletir sobre as formas de violência e a reprodução dela, repassada entre veteranos-que-já-foram-recrutas para recrutas-que-serão-veteranos, tal qual uma herança genética. Diretamente, D.P. lança luz a esta realidade dolorosa, chamando a atenção para que padrões sejam quebrados, para que novas perspectivas sejam iniciadas.

“Recentemente, o número de desertores diminuiu em um quinto e o número de suicídios também diminuiu. Espero que seja uma oportunidade para pensar se a forma de violência mudou ou como acabar com essa cadeia. [...] Estou ansioso por isso, pois será uma oportunidade de prestar atenção ao 'desertor' que estava lá.” (Kim Bo-Tong)

Ahn Jun-Ho (Jung Hae-In!!! Que homem lindo!!!) tem um senso de observação e análise afiado, é calado e introvertido e, por vezes, parece suportar a crueldade do tratamento recebido pelos superiores com indiferença, mas ele apenas está acostumado a ser maltratado. Hae-In está impecável! Toda a agonia, a raiva, a ansiedade e a frustração eram palpáveis, as linhas de silêncio eram preenchidas por respirações e olhares que muito gritavam, apesar de ele continuar estático. Han Ho-Yul (Koo Kyo-Hwan), sênior e parceiro de Jun-Ho, apresenta um senso de humor cativante, diminuindo a tensão em algumas sequências, mas não sendo menos perturbado que seu companheiro: convenhamos, todo mundo ali estava desgraçado mentalmente. A química entre eles, contrastando as personalidades durante a dinâmica policial, é um dos pontos altos do drama!


À medida que os desertores são apresentados, descobrimos que esses jovens são assediados, espancados e humilhados, vítimas de bullying severo e continuado; o que nos faz solidarizar com a situação dos fugitivos. A intimidação e os maus-tratos sofridos pelos recrutas são infligidos pelos veteranos (que também foram vítimas quando juniores) sob o pretexto de punição ou instilação de respeito e há uma cena em particular, na metade final do drama, que me fez encarar a tela com um sorriso nos lábios ao pensar que são necessários dois para manter um padrão, mas apenas um para quebrá-lo, ainda que seja difícil. Os casos de espancamento brutal, as agressões sexuais e as humilhações desumanizantes, ainda que fictícias, não são exageradas; D.P. também faz um trabalho excelente ao demonstrar, nas raríssimas oportunidades, como são os desfechos dos casos que vêm à tona: a insensibilidade marca a normalização das tragédias anunciadas. Por sua conta e risco, estes dois artigos podem servir de material para leitura.


A trama aborda uma temática diferente do que é comumente retratado e, principalmente, trazido para o Brasil numa plataforma de streaming tão popular. As personagens (todas elas!) são bem construídas, principalmente porque todas as razões e motivações são bem desenvolvidas. O ritmo da trama é viciante e extremamente pesado, mas necessário na mesma medida. D.P. é aquela maratona envolvente que você precisa e ainda não sabe! Confira o trailer:



PS.: em total estado de oração (mais!) pelos nossos idols amados no exército!





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