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Cinco* Motivos para Assistir a Money Heist: Korea


Money Heist: Korea — Joint Economic Area, part 1, remake da série espanhola La Casa de Papel, grande sucesso da Netflix, tem como pano de fundo a fictícia Coréia unificada, e se passa em uma Área Econômica Conjunta (antiga Área de Segurança Comum), local construído estrategicamente entre os dois países, agora renascidos como Península Coreana.


Para quem, assim como eu, assistiu à primeira temporada da série original, é possível reconhecer de cara não apenas o enredo que estrutura a narrativa da história (silêncio, a internet está descobrindo o significado de remake enquanto os xenófobos estão mascarando preconceitos ao usar a palavra plágio... até quando?), mas também a cronologia dos acontecimentos e a narração da Tokyo, naquele estilo não-confiável que deixa tudo melhor! Ao mesmo tempo, a versão coreana se sobressai ao contar as histórias de cada personagem, suas motivações e desejos, com destaque às personagens Tokyo e Rio, de quem eu não gostava no original, mas que amo no drama, e à linha do tempo da relação Professor-Inspetora.


Em 06 episódios de uma hora ou pouquinho mais que isso, todos disponíveis na Netflix, o drama é uma boa dica para quem gosta de histórias que envolvem planos infalíveis (oi, Cebolinha), ação, quebra-cabeças e mergulho nas singularidades e motivações pessoais. Para quem não viu o original, garanto, também, algumas reviravoltas excelentes! Para quem viu, garanto, também, que o Arturito continua um grande sacana e que Denver e Estocolmo estão tão bons (ou melhores, ouso dizer!) quanto. Assim, aqui estão 05* motivos para você assistir a Money Heist: Korea — Joint Economic Area, part 1.



  • A dinâmica sociopolítica Norte-Sul da Coréia

Apesar de não ter visto La Casa de Papel até o final (apenas li para saber como terminava porque estava cansada, rs), me interessei pela versão coreana justamente porque falaria sobre uma moeda comum aos dois países que, por sua vez, estariam unificados. Os dramas coreanos, quando decidem falar sobre assuntos do gênero, conseguem imprimir análises sociais incríveis, então fiquei muito animada. E não me decepcionei. As relações sociopolíticas Coreanas, costuradas tanto à história quanto à realidade capitalista global, trabalharam de forma impecável a questão da consciência de classe e da cultura de massa, por exemplo.


Por se tratar de uma economia unificada, cenário visionário por si só, o drama aborda as questões capitalistas sem filtros ou atalhos; na verdade, aponta que o atalho em meio a todas as questões é, justamente, os lucros que são gerados para os dois lados com a unificação da Península. Mas nem tudo são flores, claro! Ao mesmo tempo, expõe os abusos, as fraudes, os esquemas de corrupção e exploração que independem de região e que, infelizmente, continuam existindo.


  • O efeito Xibom Bombom coreano

Para quem não se lembra, o xibom bombom não é apenas uma música de axé dos anos 90, mas uma análise sobre a questão social capitalista que denuncia cadeias hereditárias e situações precárias cujo motivo todo mundo conhece: o de cima sobe e o de baixo, desce. E é aí que as cortinas abrem: com vocês, o Professor. Pesquisador especialista sobre os impactos econômicos derivados da unificação das Coreias, ele está desiludido porque percebe que tudo continua como um "museu de grandes novidades".


Entre trabalhadores sem expectativa, migrantes explorados e miséria crescendo à proporção que os bolsos dos já riquíssimos são cheios depois da unificação, ele planeja mexer com toda a estrutura de poderosos que continuam enriquecendo às custas de todos e, para isso, arquiteta o grande espetáculo para ser visto por todos; para cutucar os "formadores de opinião" e fazer a opinião pública a favor dessa "redistribuição de renda" em que ladrões dispostos a não matar ninguém assaltam 4 trilhões de won.


  • O "sonho coreano"

Se você pensou no "sonho americano", saiba que a resposta está correta porque, no drama, se expõe esse ideal sul-coreano que é primo dos EUA e se assemelha a eles quando se compara com o estilo de vida da Coreia do Norte. Os ideais de liberdade, prosperidade e sucesso e a promessa de que as oportunidades de "mudar de vida" ou "se refazer" na Coreia do Sul, motivo de migração dos norte-coreanos no drama, após a unificação, sem que haja obstáculos para se galgar qualidade de vida, por exemplo, é evidenciado desde os primeiros minutos do primeiro episódio com a personagem Tokyo.


O cenário promissor, as propagandas sobre a paz e o sossego para que as pessoas conseguissem crescer e prosperar a partir das oportunidades "asseguradas" pelo governo eram contrapostas automaticamente com a precarização do trabalho, a falta de emprego, a não-superação da desconfiança cultivada por décadas entre "pessoas do norte e do sul", a guerra velada que ainda pairava sobre a Península e o desprezo nítido sobre a forma de um e outro viver, sinalizavam os perigos existentes e concretos sempre que o ideal do "sonho coreano", tão idealizado nos dramas que pintam a Coreia do Sul como o país perfeito, era demonstrado.


  • A balança moral das personagens

Cada uma das personagens tem a bagagem para pesar na balança do telespectador, de igual maneira, sobre seus graus de inocência e culpabilidade, de misericórdia e condenação. Tokyo tenta reconstruir seus sonhos depois de o "sonho coreano" apenas lhe imputar abusos; Berlin, quem conheceu a face violenta da sociedade desde a infância, acredita que poder e medo são sinônimos e devem andar de mãos dadas, mas demonstra ansiedades e medos (do tipo inédito?) em lapsos de vulnerabilidade; o Professor valsa entre a manipulação e os ideais de "distribuição de renda"; a Inspetora vive lutas constantes e faz malabarismos entre a vida pessoal e profissional e os níveis de tensão entre força e tração que precisa fazer diariamente; Rio, Moscou e Denver, ainda que em contextos diferentes, principalmente pelas classes sociais distintas, nos apresentam circunstâncias familiares e os desdobramentos pessoais com reflexos no futuro.


E, por demonstrar essas pinceladas dos envolvidos no roubo, por exemplo, no começo de cada episódio, essas sequências são umas das melhores do drama porque podemos vislumbrar porquês e desenhar linhas que, sem esses vislumbres, não poderiam ser relacionadas. Eu amo a forma como dramas coreanos contam as jornadas emocionais de suas personagens, porque quase sempre conseguimos nos envolver na trama ainda mais e sinto que em Money Heist: Korea eles ficaram com o pé no freio nesse quesito, infelizmente, seguindo o "estilo internacional" que não te convida a participar efetivamente, mas a, principalmente, assistir. Porém, a escolha do elenco foi tão importante porque cada um brilha sozinho e em grupo e permite, sim, que haja aprofundamento nas motivações pessoais daqueles que já foram mostrados mais a fundo, claro, de forma a não fazer tanta falta um pano de fundo pessoal maior na tela.


  • Sai a paella, entra o kimchi: o temperinho especial na trama

Quando Tokyo, a última do grupo a dirigir-se ao globo terrestre e escolher seu pseudônimo, justifica sua escolha ao afirmar que irão "fazer maldades", a alfinetada à relação Japão-Coréia do Sul já demonstrava que os elementos narrativos seriam trazidos à realidade cultural e à vivência coreana: e eu não poderia ter ficado mais feliz!


Para o assalto, seguindo a narrativa da restauração financeira àqueles que são, diariamente, atingidos pelas cruezas do capitalismo, saem as máscaras do espanhol Salvador Dalí, utilizadas para expressar a resistência diante das injustiças, se posso resumir assim, e entram as tradicionais máscaras coreanas Hahoe que, em diversas formas e expressões, representam o status social de seus personagens e foram originalmente idealizadas para apresentações satíricas a fim de zombar a elite coreana à época. Um ponto importante a destacar é que cada uma das Hahoe possuem características faciais específicas e nenhuma é simétrica; possibilitando demonstrar a dualidade das personagens, algo importante para a trama porque cada personagem do drama, também, possui dois (ou mais?) lados conflitantes de si mesmo.

  • *Bônus: a Santíssima Trindade Jeon JongSeo, Kim JiHoon e Park HaeSoo

Respectivamente, os intérpretes de Tokyo, Denver e Berlin. Os três são um espetáculo à parte e fazem seus personagens crescerem em cena de forma surreal.

 

Money Heist: Korea — Joint Economic Area nos faz questionar se os fins justificam os meios e se toda e qualquer ação é válida quando o alvo é algo grandioso. A parte II ainda não tem data confirmada, mas acredito que vai continuar trazendo muitos questionamentos e reflexões.

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